“‘A voz executa o trabalho do Buda.’ Eis nossa poderosa arma — o diálogo sincero, o rugido corajoso do leão.” Esse é um dos trechos do marcante poema dedicado a nós, brasileiros, “Brasil, Seja Monarca do Mundo!”. Escolhi essa passagem do extenso desejo do presidente Ikeda, expresso em papel e que já está no coração de todas, para dividir uma reflexão com minhas estimadas leitoras da seção “Século das Mulheres”. Como o título desta coluna é “Comunicação de Vida”, nada como dividir com vocês aspectos do cotidiano e de alguma forma contribuir para a troca de idéias. Bom, estamos no início do “Ano da Expansão do Diálogo”, e pergunto: Quantas vezes nos dispomos a dialogar sinceramente? Esse dialógo que realizamos estende-se à prática? Será que somos capazes de agir e fazer esse diálogo tomar vida? Permitam-me exemplificar aqui com uma importante lembrança de como esse tipo de dedicação no nosso dia-a-dia pode trazer resultados profícuos na vida dos que nos rodeiam. Neste mês completo 33 anos de prática budista. Aos 15 anos de idade já era grau médio do Departamento de Estudo do Budismo e, aos 18, era responsável de distrito da então Divisão das Moças. Trabalhava durante o dia e fazia faculdade à noite, rotina da maioria de nossos jovens. Meu responsável de distrito na época, Sr. Sumoto, ensinou-me com seu próprio exemplo a receita do diálogo de vida. Eu não tinha tempo para nada, dinheiro idem, e sentia-me impotente por não ter condições de liderar as aproximadamente trinta jovens de meu distrito. Sabem o que ele fez? Simplesmente disse-me: “Essa é sua época de estudar. Seja a melhor estudante e torne-se uma jornalista que possa contribuir para o futuro da Gakkai.” Foi isso. Em vez de me cobrar presença nessa ou naquela atividade, ele depositou em meus ombros uma responsabilidade ainda maior. Foi também rigoroso, dentro da benevolência. Disse-me que embora não tivesse tempo, teria de orar sinceramente para a felicidade de meus membros e como não tinha condições de participar durante a semana, contava-me sobre todo o andamento das atividades. E que eu deveria de alguma forma manter contato com todas as jovens, por telefone ou carta. Ele próprio se prontificou a entregar as cartas, os bilhetes e os avisos a cada uma. Foi uma época de ouro. Com certeza, esse apoio fez com que uma união forte se estabelecesse em nossa organização. Aprendi que um diálogo sincero, seguido de ações que levam estímulo e esperança, é o que transforma qualquer condição adversa. Aprendi que podemos mudar o sofrimento em esperança com o simples ato de olhar com os olhos do coração e, principalmente, acreditar que valores humanos se criam com dedicação, com a doação de nosso sorriso, de nosso olhar, de nossas palavras e de nossa determinação.
Bem, tornei-me jornalista e hoje posso dividir essa experiência com vocês e, o que considero maravilhoso, é poder ainda hoje compartilhá-la com esse veterano de prática, que é um de meus melhores amigos. Passaram-se mais de vinte anos desde então, mas a lição ficou e procuro aplicá-la no meio em que atuo. Esse com certeza é o principal tesouro: conviver em meio à Família Soka e fortalecer nossa convicção de vida de acordo com o seguinte trecho do poema: ”A verdadeira crença eleva e une os homens, abre e une corações. Nada mais belo do que o reino luminoso da confiança entre os homens.”