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Gerações
há 25 anos
Construindo uma vida feliz com persistência e convicção
José Lourenço Aguirre, 52, vice-presidente da BSGI
01/02/2002

Mais tarde, comecei a trabalhar como office-boy e meus irmãos, um a um, conforme cresciam, passaram também a ajudar no orçamento doméstico, melhorando pouco a pouco a situação da família. Contudo, as pesadas responsabilidades a que fui submetido desde pequeno tornaram-me um jovem muito fechado e depressivo. Tinha medo do futuro. Para mim, o futuro era como um tenebroso abismo que se abria à minha frente. Não conseguia visualizar nenhuma perspectiva. Como minha família era católica, eu procurava no cristianismo respostas para inúmeras dúvidas que me atormentavam, mas a filosofia conformista cristã somente piorava a situação.
Escolhi seguir a carreira militar, não por vocação, simplesmente por falta de algo melhor. Nessa época que comecei a ter alguns problemas de saúde diagnosticados como efeitos do sistema nervoso abalado.
Foi justamente nessas condições que tive meu primeiro contato com o Budismo de Nitiren Daishonin. Desde o início, a sua filosofia chamou-me a atenção. Era algo totalmente novo para mim. Os conceitos de eternidade da vida e lei de causa e efeito atuando no passado, presente e futuro, esclareceram minhas principais dúvidas existenciais. Outro aspecto que me atraiu fortemente foi o contato com a organização e com a Divisão Masculina de Jovens. A participação nas reuniões, em que toda a energia era direcionada para algo tão sublime como a paz mundial e a felicidade da humanidade, foi decisiva para o fortalecimento de minha resolução em tornar-me membro da BSGI. No dia 20 de outubro de 1968 participei pela primeira vez de uma reunião de palestra e, desse dia em diante, dediquei-me intensamente à prática da fé como se fosse a minha última salvação ou alternativa. Passados quatro meses, em 2 de fevereiro de 1969, após enfrentar uma forte oposição familiar, recebi respeitosamente o Gohonzon, no segundo andar do casarão localizado no número 1.008 da Rua Tamandaré, no bairro da Liberdade, onde hoje é o prédio da Divisão Feminina da BSGI.
Nessa época, a BSGI era ainda uma organização muito pequena e estava sendo promovida uma grande campanha de Chakubuku. Essa luta era realizada diariamente sem descanso e a Divisão dos Jovens empenhava-se numa intensa corrente de Daimoku e efetiva atuação visando ao sucesso das atividades. Foi em meio a essa dedicação que compreendi verdadeiramente a minha missão e passei a ter o presidente Ikeda como meu mestre da vida. Trabalhávamos durante o dia, participávamos das reuniões e visitas familiares à noite, desafiávamos na recitação do Daimoku e não sobrava muito tempo para dormir, contudo a satisfação era indescritível. Aprendi como era maravilhoso dedicar a vida à realização da sublime missão do Kossen-rufu.
Já não mais sentia medo nem insegurança. Para mim, era como se as nuvens escuras e assustadoras tivessem se dissipado totalmente, dando lugar a um céu claro e resplandecente. E o sol começou a brilhar intensamente em minha vida.
Apesar da forte oposição inicial por parte da família, principalmente de meu pai, a mudança que aconteceu em mim era impossível de não ser notada ou sentida. Eu já não era mais o jovem inseguro, calado, pessimista e fechado. Havia mudado completamente. Tornei-me uma pessoa sorridente que falava com convicção e coragem. Até meus conhecidos se surpreenderam e muitos deles vieram a se converter ao budismo com o passar do tempo.
Com exceção de meu pai, quando recebi o Gohonzon todos na família já haviam iniciado a prática. A oposição paterna durou sete anos, contudo, por meio de uma grande união familiar, finalmente ele veio a se converter. Ele faleceu em 1986 com um admirável aspecto de serenidade. Atuei por dez anos na Divisão dos Jovens e, durante esse tempo, o carma da pobreza evidenciou-se fortemente em minha vida, mas como estava decidido a realizar sem falta a transformação do meu destino, mesmo enfrentando enormes dificuldades, jamais me permiti ser derrotado nas atividades do Kossen-rufu. Lembro-me que, nessa fase de minha vida, tinha como base a frase do Gosho: “Aqueles que crêem no Sutra de Lótus são como o inverno. O inverno nunca falha em se tornar primavera.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 1, pág. 336.) Tenho plena convicção de que as intensas lutas que realizei nessa época foram causas para o acúmulo de boa sorte da qual desfruto hoje juntamente com meus familiares.
No início da prática, embora fosse muito esforçado, a falta de boa sorte me impedia ser bem-sucedido no trabalho. No entanto, mesmo nos piores momentos conseguia manter a esperança sem jamais me deixar abater. Em meu íntimo, seguindo as orientações do presidente Ikeda, tinha certeza de que, se não fosse derrotado pelas circunstâncias, se persistisse, um dia, infalivelmente, alcançaria a vitória. Por mais intensas que fossem as atividades, todos os anos desafiava a recitação de um milhão de Daimoku.
Vivi a intensa alegria de receber o dia da inauguração do Sho-Hondo em 12 de outubro de 1972, e ainda a grande tristeza de não ter recebido o Mestre em 1974, derramando lágrimas de raiva e frustração que se transformaram na decisão de ir ao seu encontro. Assim, em 1975, em meio ao grande desafio de realizar um milhão de Daimoku pelo quinto ano consecutivo, logo após a árdua luta para o Festival Cultural em Brasília, consegui concretizar meu sonho participando do meu primeiro curso de aprimoramento no Japão. Com o coração repleto de gratidão, parti rumo ao meu primeiro encontro com o Mestre. Foram dias inesquecíveis. Tivemos a oportunidade de participar da grande Convenção dos Estados Unidos, chamada “Blue Hawaii”, em Honolulu, Havaí.
Em 1976, aos 26 anos, ainda com a viva lembrança do maravilhoso encontro com o Mestre em minha memória e em meu coração, comecei a trabalhar em uma indústria de pequeno porte que estava iniciando suas atividades. Era uma empresa nova mas muito dinâmica e com grandes objetivos para o futuro. Essa pequena indústria cresceu e em cinco anos transformou-se em uma indústria de médio porte, triplicando seu tamanho. Cresci junto com ela e, em dez anos de atividades, ela havia ampliado para duas indústrias de médio porte.
Casei-me em 1977 e, em 1979, formei-me na Divisão Masculina de Jovens, transferindo-me para a Divisão Sênior como vice-responsável de distrito. Prossegui em minha luta e atuei em todas as funções até ser nomeado coordenador da Divisão Sênior da BSGI, em 1993.
Paralelamente, progredi profissionalmente, exercendo responsabilidades cada vez maiores e conquistando salários cada vez melhores, até alcançar o nível de gerente de suprimentos de ambas as indústrias. Adquiri meu primeiro automóvel em 1980 e, no ano seguinte, já morava na minha casa própria.
Algo que gostaria de enfatizar é que todos esses benefícios materiais surgiram em minha vida após a grande luta empreendida na contribuição especial para a construção do nosso Centro Cultural, inaugurado em 1977.
Já casado, pude recepcionar dignamente o Mestre em 1984, como responsável de distrito, atuando juntamente com minha esposa, Kiyoko, no histórico festival cultural, ocasião em que extravasamos toda nossa incontida alegria em recepcionar o Mestre após dezoito anos de ausência. Logo após essa visita, voltamos todos os esforços para a construção do nosso maravilhoso Auditório Presidente Ikeda, inaugurado em 1987, possibilitando-nos revolucionar ainda mais nossa vida por meio de constantes desafios.
Em 1990, mais uma vez não pudemos receber o presidente Ikeda no Brasil. Nessa ocasião, foi realizado um festival cultural dos jovens e foi a vez de meus filhos atuarem com todo o vigor. Eu e minha esposa participamos de comissões para recepcionarmos o primogênito do presidente Ikeda, Hiromasa, que o representou na inauguração do nosso Centro Cultural Campestre.
Uma nova oportunidade surgiu e, em 1992, iniciaram-se os preparativos para recepcionarmos o presidente Ikeda em sua quarta visita ao Brasil, que ocorreria no ano seguinte.
Trabalhava há 16 anos na mesma empresa, havia conquistado a confiança de todos e tinha grande prestígio profissional, mas sentia-me de certo modo acomodado e sem perspectivas para progredir mais. Considerando-me jovem demais para me amoldar a essa situação, lancei o objetivo de recepcionar o Mestre com uma nova perspectiva em minha vida. Queria progredir profissionalmente, trabalhar numa outra empresa de maior porte ou realizar o antigo sonho de me tornar um empresário. Com esse objetivo em mente, lancei-me com toda a seriedade nas atividades visando a recepcionar dignamente o presidente Ikeda em terras brasileiras. Foi um ano de intensas batalhas, pois nessa ocasião já enfrentávamos a grande maldade de Nikken, que com seus bonzos maldosos aquartelados no templo Itijoji, comandavam a campanha para impedir nossas atividades, tentando por meio do conluio com alguns políticos corruptos, evitar a entrada do Mestre em nosso país.
Foi realmente uma árdua batalha. A luta para proteger os membros e não permitir que fossem influenciados pela maldade mesclou-se com os preparativos para a recepção do presidente Ikeda, tornando-se tão intensa que sequer percebíamos o tempo passar.
Vencendo todas as maldades, o presidente Ikeda finalmente pisou em terras brasileiras. Dessa vez, ele fora recebido como um visitante oficial e recebeu diversas homenagens da própria sociedade brasileira. De nosso Centro Cultural Campestre ele conduziu, durante treze dias consecutivos, a luta do Kossen-rufu mundial. Foram dias maravilhosos. Vários arco-íris enfeitaram nossos céus durante a sua estada. Quantas alegrias ele nos proporcionou naqueles dias inesquecíveis!
Após sua partida, apesar do enorme sucesso de sua visita, comecei a sentir uma certa frustração. Os objetivos que havia lançado não tinham se concretizado, pior, tudo continuava como antes. Foi quando recebi o convite para trabalhar na sede da BSGI. Levei um susto. Tal possibilidade jamais tinha passado pela minha cabeça, nem em sonho. Confesso que, num primeiro momento, fiquei completamente confuso. Não sabia o que dizer. Embora tivesse objetivado uma nova perspectiva para mim, essa mudança era radical demais. No entanto, com o apoio de minha família e de meus companheiros, decidi aceitar a proposta e iniciei vitoriosamente minha nova fase como funcionário da sede em agosto de 1993, cinco meses após a visita do presidente Ikeda.
Desde então, até os dias de hoje, são inúmeras as lutas e vitórias conquistadas junto com os companheiros, principalmente o fato de ter presenciado todos os trâmites da retomada do templo Itijoji das mãos dos bonzos de Nikken, levando-os a uma fragorosa derrota. O prédio onde os bonzos se aquartelavam foi denominado pelo presidente Ikeda como Josho Kaikan, tornando-se um símbolo da vitória sobre as maldades de Nikken para o mundo inteiro.
Tenho três filhos — Cristiano, Ricardo e Renata — dos quais sinto grande orgulho, pois todos estão se desenvolvendo de forma saudável como valores humanos. Juntamente com minha esposa, que atualmente é coordenadora da Divisão Feminina da BSGI, formamos uma família unida dentro da grande Família Soka.
Não me tornei um empresário e nem diretor ou presidente de uma grande empresa, porém, o fato de poder me dedicar integralmente ao Kossen-rufu de meu país, junto com o presidente Ikeda, está muito além de tudo o que poderia desejar.
Desde 1968 venho atuando em todos os eventos importantes que compuseram a história da BSGI, desde os festivais até as contribuições especiais para a construção do Centro Cultural da BSGI, Auditório Presidente Ikeda, do Centro Cultural Campestre e do Palácio Memorial. Participei também de inúmeros intercâmbios, além de ter conseguido concretizar quatro viagens de treinamento ao Japão e cinco de minha esposa.
Assim como nessa jornada muitas coisas aconteceram e muitas dificuldades tiveram de ser superadas, doravante, muitas coisas irão acontecer e grandes obstáculos ainda terão de ser vencidos. Em um trecho da Nova Revolução Humana, o presidente Ikeda diz: “No curso de qualquer empreendimento histórico surgem infalivelmente inúmeros obstáculos, o caminho é escarpado e sua concretização requer um longo tempo. Isto se aplica também ao glorioso e sem precedentes drama épico do Kossen-rufu, jamais antes realizado.”(NRH, vol. 2, pág. 1.)
Nesses 41 anos de luta pelo Kossen-rufu, com muito orgulho recebemos do mestre a denominação de “Modelo do Kossen-rufu Mundial”. No entanto, muita coisa ainda precisa ser feita. Por isso, no início deste tão aguardado século XXI, quero começar uma nova fase como um pioneiro, desbravando os caminhos para a nova geração que inicia sua jornada.
“Atuem agora e vivam o presente/ com a certeza de que neste exato instante/ está se erguendo o futuro./ Deixem seus méritos gravados/ na história de suas contínuas vitórias!/ A dificuldade no momento presente/ será a glória em seu futuro!/ O desbravar do caminho do novo século/ será proporcional a sua caminhada!”
Neste início de ano, com o espírito desse trecho do poema “Brasil, Seja Monarca do Mundo!” em mente, eu e minha família iniciamos uma grandiosa luta para a construção do novo Centro Cultural da BSGI e lançamo-nos ao desafio para comemorar dignamente o cinqüentenário do Kossen-rufu do Brasil em 2010.
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