marcar-conteudoAcessibilidade
Tamanho do texto: A+ | A-
Contraste
Ser Jovem
há 25 anos

Será que a gente se entende?

01/02/2002

Será que a gente se entende?
O tema da BSGI de 2002 — “Ano da Expansão do Diálogo” — nos faz refletir sobre o significado do diálogo em nossa vida. Será que conseguimos realmente dialogar com as pessoas? Qual o segredo para o verdadeiro diálogo? Segundo o presidente Ikeda, “O diálogo genuíno, arraigado na sincera amizade, tem o poder de superar as diferenças da nacionalidade, de transcender fronteiras e interesses, de derrubar os muros da separação. É de máxima importância avançar com espírito de cooperação pelo caminho da tolerância, da coexistência e da criatividade, respeitando a diversidade e extraindo o melhor dela”. (Brasil Seikyo, edição no 1.595, 17 de março de 2001, pág. 4.)

Dialogar com as pessoas, respeitando as diferenças, sejam elas de sexo, de idade, de nível cultural ou social não é algo fácil. Por exemplo, o Brasil, sendo um país tão extenso, possui uma cultura extremamemnte rica e muitas palavras diferem em significado de uma região para outra. Na internet já encontramos disponíveis muitos dicionários para traduzir esses termos, como os de “baianês”, “sergipanês”, “pernambuquês” e muitos outros.

Um outro caso é o uso freqüente da gíria pelos adolescentes. As gírias, usadas à exaustão pelos jovens, surgem com uma velocidade vertiginosa e, com a mesma rapidez, também saem de moda.

Apesar de ser rejeitada por muitos adultos, é uma forma mutante e criativa de se comunicar. Gírias próprias são criadas não somente em diferentes cidades e bairros, mas mesmo por pequenas turminhas de amigos.

A gíria é uma espécie de dialeto adotado por bandos, gangues e tribos teens. Os skatistas falam de maneira diferente dos surfistas, assim como as patricinhas se expressam diferentemente dos boys da periferia. Funkeiros, roqueiros, rapeiros, clube de estudantes, cada qual tem sua própria linguagem. Para essas diferentes tribos a adoção de um vocabulário particular faz com que apenas os iniciados consigam entender o que está sendo conversado.

Para muitas dessas tribos, a gíria é usada como forma de contestar, de se auto-afirmar, de se diferenciar do mundo dos adultos, de buscar identidade própria e é um processo normal no crescimento dos jovens.

Algumas dessas expressões acabam saindo dos limites da tribo e passam a fazer parte da linguagem cotidiana da sociedade em geral. Quando isso ocorre elas perdem valor para aquele grupo de jovens. Tanto que há palavras que nem parecem gíria porque vão longe os tempos em que se tornaram de domínio público. Bons exemplos são “bronca”, “bacana” e “paquera”.

A gíria é legal, enriquece a linguagem e facilita a comunicação. Porém, existem pessoas que só conseguem falar e entender gíria. Elas simplesmente não conseguem completar uma frase inteira sem utilizar gírias e a encerram invariavelmente com “tá ligado?”. E, quando tem de se fazer entender pelas outras pessoas, “se enrolam toda”.

Por isso, não devemos restringir nosso vocabulário somente à gíria. Apesar de ser um grande desafio, o hábito da leitura é muito importante. Quanto mais palavras soubermos, melhor será nossa capacidade de expressar o que sentimos, pois elas existem para dar significado ao nosso estado de espírito e ações. Sem as palavras, nossa capacidade de entendimento e diálogo torna-se muito pobre e limitada. Se não existisse, por exemplo, a palavra saudade, como as pessoas entenderiam esse sentimento? Será que dizer apenas “tô mal”, exprime tudo o que estamos sentindo?

Para nos comunicarmos e interagirmos com as pessoas a nossa volta, é preciso que nos preocupemos em utilizar para cada situação, uma linguagem adequada. Ao falarmos com um professor, utilizamos um vocabulário mais “elegante” e uma entonação de voz. Ao falarmos com um amigo, usamos um vocabulário mais livre. A linguagem técnica, por exemplo, utilizada por áreas específicas, como a médica deve ser usada somente entre colegas da mesma área. Não tem sentido usar termos que a maioria das pessoas desconhece. Ou seja, existem ocasiões em que devemos utilizar a linguagem padrão, com vocabulários conhecidos por grande parte das pessoas.

Uma pessoa que consegue se expressar bem na linguagem oral e escrita tem seu papel valorizado na sociedade. Essa habilidade pode pesar na realização de muitos objetivos na vida.

No vestibular, uma redação bem escrita pode garantir uma vaga em uma universidade. Além disso, as respostas dissertativas são utilizadas também para se conhecer a capacidade de explanação e de crítica do candidato.

Ao elaborarmos um currículo ou participarmos de uma entrevista visando a um emprego, uma boa linguagem oral e escrita poderá fazer a diferença em relação aos outros candidatos.

Algumas dicas para ler e compreender um texto

1 - Utilize sempre um dicionário. Quando não souber o significado de uma palavra, não tenha preguiça de consultar um. Conhecendo o significado correto da palavra, saberá utilizá-la quando precisar. Uma dedução errada pode fazer com que você dê vexame.

2 - Tente entender a idéia primordial, ou seja, do que se trata o texto, o que o autor pretende dizer com ele. Repita a leitura se não compreender o texto.

3 - Divida o texto em partes e estabeleça a relação entre elas. Faça uma rápida exposição para você mesmo ou um esquema colocando as idéias básicas.

4 - Relacione o texto com outros textos sobre o mesmo assunto. 5 - Experimente recriar o texto. Se possível, sublinhe as idéias principais.

Compartilhe

Copy to clipboard